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2002 - Singles

(edição japonesa, 1999 - cortesia do blog Caetano en Detalle)

(edição brasileira, box "Todo Caetano", 2002)

01 - Samba Da Cabeça (1978)
(Caetano Veloso)

02 - Amante Amado (1978)
(Jorge Ben)

03 - Pecado Original (1978)
(Caetano Veloso)

04 - Charles, Anjo 45 (1969)
(Jorge Ben)

05 - Cada Macaco No Seu Galho (1993)
(Riachão)

06 - Pot-pourri (1968)
É Proibido Proibir
(Caetano Veloso)

07 - É Proibido Proibir II [Ambiente de Festival]
(Caetano Veloso)

08 - Yes, Nós Temos Bananas (1968)
(Alberto Ribeiro/João de Barro)

09 - Ai De Mim, Copacabana (1968)
(Caetano Veloso/Torquato Neto)

10 - Torno A Repetir (1968)
(Caetano Veloso)

11 - Pula, Pula (Salto De Sapato) (1971)
(Jards Macalé/Capinan)

12 - É Coisa Do Destino (1973)
(Moacyr Albuquerque/Tuzé de Abreu)

13 - Frevo Do Trio Elétrico (1973)
(Dodô/Osmar Macedo)

14 - O Bater Do Tambor (1978)
(Caetano Veloso)

15 - Armandinho (1981)
(Caetano Veloso)

16 - Pot-pourri (1976)
Dias, Dias, Dias
(Augusto de Campos/Caetano Veloso)
Volta
(Lupicínio Rodrigues)

17 - Let It Bleed (1974)
(Keith Richards/Mick Jagger)

18 - Medley: Por Causa De Você (Antonio Carlos Jobim/Dolores Duran) /
 Uma Casa Portuguesa (Reinaldo Ferreira/V. M. Sequeira/ Artur Fonseca) /
 Felicidade (Antonio Almeida/João de Barro) (1974)

19 - Felicidade (1974)
Lupicínio Rodrigues

Opinião da casa:
Uma coletânea de raridades lançada no Japão e que tinha tudo pra virar raridade até que foi lançada no Brasil para o box Todo Caetano de 2002 e... Virou raridade. Não só o box se esgotou e saiu de catálogo como o disco não foi lançado de forma avulsa, se tornando artigo de colecionador.
É uma boa compilação, porém pequena. Todas as faixas foram aproveitadas nos discos de raridades dos boxes "40 anos Caetanos", esses sim, mais completos.

2002 - Eu não peço desculpa


1. Todo errado
(Jorge Mautner)

2. Feitiço
(Caetano Veloso)

3. Manjar de reis
(Jorge Mautner, Nelson Jacobina)

4. Tarado
(Caetano Veloso, Jorge Mautner)

5. Maracatu atômico
(Jorge Mautner, Nelson Jacobina)

6. O namorado / Urge Dracon
(Caetano Veloso, Jorge Mautner )

7. Coisa assassina
(Gilberto Gil, Jorge Mautner)

8. Homem bomba
(Caetano Veloso, Jorge Mautner)

9. Lágrimas negras / Doidão
(Jorge Mautner, Nelson Jacobina)

10. Morre-se assim
(Jorge Mautner, Nelson Jacobina)

11. Graça Divina
(Caetano Veloso, Jorge Mautner)

12. Cajuína
(Caetano Veloso)

13. Voa, voa, perereca
(Sergio Amado)

14. Hino do Carnaval Brasileiro
(Lamartine Babo)

Comentários:
As risadas e os sustos que as conversas com Mautner sempre provocam, excitaram minha imaginação de modo especial nos encontros que tivemos, entre outubro e dezembro de 2001, o que me levou a desejar fazer um disco em colaboração com ele. A amizade que mantemos desde que nos vimos pela primeira vez, em Londres, no começo da década de 1970, é e foi sempre muito importante para mim. Mas nunca tive tão clara em minha mente a pergunta sobre minha verdadeira ambição quanto durante esses papos mais recentes: certamente o que ambiciono não é a fama e menos ainda a riqueza "material"; será a poesia?, a política? ou... a profecia? Foi essa hipótese da ambição profética que me levou a propor a Mautner o disco conjunto. Porque Jorge é uma improvável mistura de paganista com profeta de Israel. Daí é que vem o fascínio que sua curiosa personalidade paraliterária, paramusical, e parapolítica (sua instigante personalidade tout court) exerce sobre mim. Sem dúvida, é dessa combinação que vieram suas inclinações de adolescência para liderar movimentos com características quase fascistas, o que, paradoxalmente(?), o levou aos altos círculos do Partido Comunista e, sobretudo, à produção de um romance assombrosamente forte chamado "Deus da Chuva e da Morte". A experiência, na extrema juventude, de debruçar a imaginação mítica sobre informações secretas da política pesada deu-lhe uma visão única (e mais contraditória na aparência do que na realidade) de como se joga com o poder no mundo. Uma visão que ele não cansa de reconstruir, me virar, atualizar.

Os terríveis acontecimentos de 11 de setembro de 2001, envolvendo Nova Iorque, cidade amada por ele e por mim, e repercutindo na situação de Israel, país que adoramos, e no vasto Islã, que nos fascina e nos remete à pergunta pelo destino da idéia central do povo Judeu, o Monoteísmo, nos levaram a conversas sobre o mundo, o Brasil, a vida dos homens. Nessas conversas, às vezes eu sentia medo. Pois bem: foi para espantar o medo que decidi pedir a Jorge que deixássemos tudo desaguar em canções. Depois de vê-lo, no carnaval de 2002, em Salvador, cantar o "Hino do Carnaval Brasileiro", num trio elétrico, em meio a um verão singularmente amargo para mim, entendi que o disco teria que ser feito logo que eu voltasse para o Rio. As canções que fizemos não lembram ou ilustram essas conversas de que falei. São, em geral, canções pop-paródicas: elas exibem o distanciamento que Mautner mantém em sua permanente metamorfose apaixonada. Fazem rir e podem fazer chorar. Algumas eu fiz sozinho, mas não as teria feito se não fosse para um disco com Jorge Mautner.


Tudo no disco tem a ver com o clima dele ­ ou com o clima a que ele me transporta. Hipertropicalista, porque tropicalista avant la lettre, Mautner não pode conceber o que venha a ser uma necessidade de criar-se o antitropicalismo (uma necessidade genuína que muita gente mais jovem confessa sentir ­ o que não deve ser confundido com as, talvez, mais freqüentes manifestações de mesquinhos desejos de substituição de celebridades): ele reanima as motivações elementares daquele movimento, que são, afinal, as mesmas que movem seus principais líderes: eis por que Gil foi chamado para cantar conosco o meu "Feitiço" (uma resposta ao "Feitiço da Vila" de Noel) e para pôr música nos versos de "Coisa Assassina", de Mautner. É não apenas o Gil tropicalista que está ali: é o Gil que excursionou com Mautner nos anos 1980 com o show "O Poeta e o Esfomeado". Mas Mautner é hipertropicalista também porque ele não foi, à época do movimento, um tropicalista: estes eram bossanovistas que se subvertiam; Mautner era, tal como Raul Seixas, um amante do rock'n'roll e das baladas country norte-americanas (além dos samba-canções de Adelino Moreira) que exibia (até no texto de seus primeiros livros) desprezo pela bossa nova. De fato, ao gravar com ele "Todo Errado" (de onde, afinal, saiu o título do disco), pensei muito em Raul e nas coisas da letra de "Rock'n'Raul". Assim, Eu Não Peço Desculpa é também uma continuação de "Rock'n'Raul", essa canção que me parece tão grandiosa quão mal compreendida.

Gravei "Lágrimas Negras" e o "Maracatu Atômico" porque acho esta uma obra-prima obrigatória e aquela uma das mais belas canções sobre a tristeza já feitas. E porque queria pontuar o disco com lembretes do peso da obra de Jorge. Pedi a ele que escolhesse algo meu para regravar: ele chegou ao estúdio com essa "Cajuína" que ele acreditava ser puramente nordestina e se revelou tão eslava em sua voz e em seu violino que, Kassin, que produziu o disco comigo (ou para mim), resolveu adicionar palmas e um fole (que às vezes toca uma terça menor em choque com a terça maior de um acorde recorrente). Sem Kassin, aliás, esse disco não seria o que é. Kassin, que conheci através de Moreno ­ que, por sua vez, o conheceu por intermédio de Pedro Sá ­ é um talento imenso e muito peculiar. Totalmente do mundo dos novos mini-estúdios com pro-tools, informadíssimo, inspiradíssimo, ele tem tão pouco medo do ridículo quanto Mautner ­ e a mesma capacidade de estar sempre roçando a paródia. Tem também um suingue inacreditável. Seu baixo bate no tempo de modo tão gostoso e moderno (sem fazer sotaque de baixista suingado de jazz-fusion) que parece que não tem ninguém tocando, que é o próprio tempo dizendo-se, sem um ego chato para atrapalhar. Pedro Sá, Davi, Domênico, Moreno e outros músicos convidados entravam e saíam da sala minúscula do estúdio.
     
Nelson Jacobina estava sempre lá: o grande Nelson, o Carneirinho, principal parceiro de Jorge (não só o mais freqüente como também co-autor das obras-primas). Fabiano, pilotando, só transmitia tranqüilidade, doçura e segurança. Tarta, quase que só doçura. Havia também uma foto da Luana Piovani pregada na porta, do lado de dentro do estúdio. Dizíamos que ela era a nossa padroeira: ela foi a madrinha da bateria do nosso samba. Um dia eu a levei lá. Em carne e osso. Parecia uma visão irreal. Ela ficou até o fim da sessão. Todos os rapazes ficaram extasiados. Ninguém se recuperou ainda direito. Quem canta seus males espanta. Este disco é para a gente atravessar esses tempos de homens-bomba, especulação globalizada, dengue e insegurança. Com a ajuda da lua de Jorge ­ e das Luanas ­ chegaremos vivos a um outro ambiente.
Caetano Veloso - Realease do disco Eu não peço desculpa em 2002

Opinião da casa:

Considerado um "Tropicália 3", esse disco leve tem coisas muito boas. Assim como Liminha, Kassin mantém um tom leve que cai bem na produção.Um disco muito bem gravado e completamente oposto ao anterior solo de Caetano "Noites do norte" que é denso e conceitual.
Como disse Caetano no release, é um disco pós 11 de Setembro, traz uma canção sobre o tema, "Homem bomba", que é cômica e um pouco provocativa. "O namorado" é a história invertida de "A namorada" de Carlinhos Brown, ótima sacada também. Minha favorita é "Coisa assassina" de Gil e Mautner.

As releituras ficam por conta de "Cajuína" na voz de Mautner e "Lágrimas negras" com Caetano (essa, imortalizada por Gal em 74, no disco "Cantar").
"Feitiço", inédita de Caetano, tem Gil no vocal e cita (além de "Feitiço da Vila" de Noel) o superhit da época, "Festa", de Ivete Sangalo.

2002 - Bicho Baile Show


1. Intro/ Odara
(Caetano Veloso)

2.Odara
(Caetano Veloso)

3.Tigresa
(Caetano Veloso)

4.London, London
(Caetano Veloso)

5. Na Baixa do Sapateiro
(Ary Barroso)

6.Leblon Via Vaz Lobo
(Oberdan)

7.Maria Fumaça
(Oberdan/Luiz Carlos)

8.Two Naira Fifty Kobo
(Caetano Veloso)

9.Gente
(Caetano Veloso)

10. ALegria Alegria
(Caetano Veloso)

11.Baião
(Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira)

12.Caminho da Roça
(Oberdan/Barroso)

13.Qualquer Coisa
(Caetano Veloso)

14.Chuva, Suor e Cerveja
(Caetano Veloso)


Comentários: 
Eu estava querendo fazer um show depois do disco e arranjar uma banda de peso. Isso para que o show tivesse o pique de música de peso, música mais animada, para dançar mesmo. Pensei em procurar o Oberdan (Magalhães, líder da banda Black Rio) para que ele me aconselhasse. Eu sabia que ele estava transando uma banda e um trabalho com o Dafé. E até pensei que fosse um trabalho fixo. Pensei 'de todo modo eu vou telefonar porque ele conhece todo mundo aqui no Rio'. Quando eu estava pensando nisso, ele pintou na minha casa. Trouxe a fita do elepê e pediu a minha opinião. Eu achei espetacular. Já tinha ouvido alguma coisa no disco do Dafé, mas nem sabia o nome da banda, nem nada. Sabia que eles queriam fazer uma coisa funk. Aí, Oberdan me disse que a banda era uma coisa separada, com disco e nome. Achei genial. E pensei 'seria ideal uma banda com esse nível, com esse peso, tocar comigo'. Mas não propus ao Oberdan por modéstia, pensei que não interessasse. Mas ele próprio me perguntou com quem o Gil estava tocando, pois eles queriam tocar com alguém. Comigo mesmo se eu quisesse. Eu disse, 'puxa, é exatamente o que estou procurando'. Porque o show é bem uma apresentação da banda. E eu fiz questão que fosse assim, porque eles são músicos muito bons. No Brasil tem muito instrumentista bom, muito músico bom, e não tem muito mercado. E quanto mais a gente pode trabalhar nesse sentido, melhor. Esse aspecto tem muita importância para mim.

O sentimento deles é muito jazz-Rio. Quer dizer, samba e jazz carioca, que é a formação musical de quase todos eles. Agora, o resultado é de nível elevadíssimo. Musical, profissional e sob todos os pontos de vista. E cada um deles individualmente, é um grande músico. Então, eu conseguir, hoje em dia, conviver numa boa, num trabalho com esses músicos é uma coisa espetacular. E eu acho que é espetacular para o ambiente. O que eu vi ontem na estreia, o que eu pretendo continuar vendo na temporada, tanto aqui como nos outros lugares em que a gente se apresentar, é que isso é uma coisa boa. Uma coisa que relmente é produtiva para o ambiente de música no Brasil.
Caetano Veloso, Revista da Música - Julho/1977 

Opinião da casa:

Primeiro é impressionante o surgimento desse show que tem um áudio incrível, tecnicamente falando. 
Segundo por que não há muitos  registros ao vivo dos shows dos discos de Caetano desde Jóia/Qualquer coisa até Estrangeiro. 
Esse show que foi super criticado tem muita coisa interessante. A forma como canções de outros discos entra na sonoridade da Banda Black Rio é curiosa. Começando pelo hino "Odara", feita com esse clima da era Discotèque, e passando por outras mais inesperadas como "Qualquer coisa" e "London, London". 
Engraçado notar os urros de Caetano para a platéia, numa tentativa um pouco assustadora de cativar a platéia. 
Esse disco seria um bootleg se não tivesse sido lançada oficialmente em 2002, no cobiçado box "Todo Caetano".

2001 - Noites do Norte Ao Vivo

Capa da edição nacional

Capa da edição internacional, com o título alternativo "Live in Bahia"

CD 1

1. Two Naira Fifty Kobo
(Caetano Veloso)

2. Sugar Cane Fields Forever
(Caetano Veloso)

3. 13 De Maio
(Caetano Veloso)

4. Zumbi
(Jorge Ben)

5. Haiti
(Caetano Veloso, Gilberto Gil)

6. O Último Romântico
(Lulu Santos, Antônio Cícero, Sergio De Souza)

7. Araçá Blue
(Caetano Veloso)

8. Nosso Estranho Amor
(Caetano Veloso)

9. Escândalo
(Caetano Veloso)

10. Cobra Coral
(Caetano Veloso, Wally Salomão)

11. Como Uma Onda (Zen Surfismo)
(Lulu Santos, Filho Nelson Candido Motta)

12. Mimar Você
(Gilson Babilônia, Alain Tavares)

13. Magrelinha
(Luiz Melodia)

14. Rock' N' Raul
(Caetano Veloso)

15. Zera a Reza
(Caetano Veloso)

CD 2

16. Dom De Iludir / Tapinha
(Caetano Veloso) / (Naldinho)

17. Caminhos Cruzados
(Antonio Carlos Jobim, Newton Mendonça)

18. Tigresa
(Caetano Veloso)

19. Trem Das Cores
(Caetano Veloso)

20. Samba De Verão
(Paulo Sergio Valle, Marcos Valle)

21. Menino Do Rio
(Caetano Veloso)

22. Meu Rio
(Caetano Veloso)

23. Gatas Extraordinárias
(Caetano Veloso)

24. Língua
(Caetano Veloso)

25. Cajuína
(Caetano Veloso)

26. Gente
(Caetano Veloso)

27. Eu E A Brisa
(Johny Alf)

28. Tropicália
(Caetano Veloso)

29. Meia Lua Inteira
(Carlinhos Brown)

30. Tempestades Solares
(Caetano Veloso)

31. Menino Deus
(Caetano Veloso)

Comentários:
Há muita reação na imprensa contra o hábito de fazerem-se discos nascidos de shows que nasceram de discos. Pessoalmente, tenho mantido uma opinião diferente. Por uma lado, gosto do calor da música registrada fora dos estúdios; por outro, considero saudáveis as revisitações de repertório e as reiterações de estilos que esse tipo de disco favorece. Naturalmente, como de qualquer fonte, de tal procedimento podem surgir obras muito boas, obras aceitáveis e obras más. Entendo que a reação contrária se justifica pelo risco de comercialismo banalizante. Mas eu gostaria de ver um rigor crítico maior por parte de quem exibe tanta antipatia pelo mercado, pelo sucesso e pelas gravadoras. Sendo um medalhão transviado, eu tenho feito, em minha própria carreira, escolhas singulares quanto a isso.

Como ninguém manda em mim (fora de casa), teimosamente faço discos de shows de discos, mas não faço como se espera que eu faça. O de Fina Estampa estava alicerçado em inéditas fortes: "Cucurrucuru Paloma", "Lábios que bejei", "Você esteve com meu bem", "O samba e o tango" etc. O Livro ("Prenda Minha"), na ausência total de canções do disco de estúdio.

Agora, Noites do Norte. Bem, desta vez terminei aprovando uma documentação completa do show. É o disco de show mais disco-de-show que já fiz. Não só está lá todo o repertório (e na ordem em que entra em cena!) mas também toda a impureza técnica das apresentações do show em sua primeira fase, quando ele ainda não estava tão maduro quanto agora. Como no caso de Prenda minha, Circuladô ou Fina Estampa, não fiz pessoalmente nenhum trabalho pós-produção em estúdio para corrigir o que não me parecesse bem em minhas atuações vocais. Só que naqueles outros discos houve uma seleção: como se tratava de parcela pequena do repertório total, dava pra escolher o que estava mais limpo.
Houve também, naqueles casos, uma providencial mudança na ordem das canções. Neste aqui vai tudo. Para mim, o disco é um tesouro por causa do trabalho dos instrumentistas. O som que resulta das amarras das guitarras de Davi e Pedrinho com os couros de Cesinha, Márcio, Junior, Du e Jó - no diálogo singular que esse som mantém com o arco musical de Jaques Morelenbaum - é uma máquina poderosa. Ela produz enlevo e libertação.

Lembro dos ensaios: todas as minhas idéias se traduziam com assustadora presteza em levadas e timbres da guitarra de Davi; precisão vigorosa por parte dos percussionistas (com Márcio sempre liderando); em intervenções sábias de Pedrinho; em perfeita segurança por parte de Cesinha - tudo isso com a interpretação geral classificadora de Jaques, sempre explicando o que estava se passando musicalmente e mostrando como fazer com que tudo se passasse com mais clareza e consciência. Ele conseguia isso falando com calma e - o que é mais eficaz - tocando com inspiração. Foi também Jaquinho quem, depois de organizar nossa mente musical nos ensaios, entrou em estúdios e dirigiu a produção, orientando a recriação dos sons na mixagem.

Como gravamos no dia do meu aniversário, eu tive (e posso dar aos compradores do CD) Lulu Santos de presente. Assim, embora peça desculpas por eventuais demonstrações de inabilidade de minha parte, aconselho a compra e a audição desse CD duplo e extensíssimo, onde, sobretudo por causa dos instrumentistas, se pode entrar em contato com uma milagrosa parte do que de mais vivo se faz em música no Brasil.
Release do álbum "Noites do Norte ao vivo" - Caetano Veloso Novembro 2001  
 
Opinião da casa:

Noites do Norte Ao Vivo é o maior disco ao vivo de Caetano, mais extenso e conceitual. É o show que passa a incorporar a sonoridade do disco. Se em Livro/Prenda Minha a idéia era a uma percussão baiana sofisticada com os metais de cool jazz, aqui é um som mais seco de guitarra e cello com percussão pesada.
Dividido em duas partes, o cd 1 explora o universo do disco "Noites do norte" . Caetano recupera "Two naira fifty kobo" - abertura do show em ótimo arranjo - "Haiti" em sua versão mais densa, "Araçá blue" e "Escândalo" (lançada em 1981 em disco de mesmo nome, na voz de Ângela Rorô) ao violão. Há também a participação de Lulu Santos.

O cd 2 mistura antigos hits com lados-b e é mais sedutor. Começando com "Dom de iludir" e seu polêmico medley com o funk "Tapinha", que rendeu algumas vaias durante a temporada do show, Caetano revive e melhora antigas canções de seu repertório: "Língua", "Tigresa", "Gente" e "Menino Deus". Também tem a canção feita para Cássia Eller, "Gatas extraordinárias", gravada por ela no mesmo ano em "...Com você meu mundo ficaria completo". 

É o disco favorito da minha irmã, de forma que esse post é dedicado a ela. <3

2000 - Noites do Norte


1. Zera a reza
(Caetano Veloso)

2. Noites Do Norte
(Caetano Veloso, Joaquim Nabuco)

3. 13 de Maio
(Caetano Veloso)

4. Zumbi
(Jorge Ben Jor)

5. Rock'n'Raul
(Caetano Veloso)

6. Michelagelo Antonioni
(Caetano Veloso)

7. Cantiga de boi
(Caetano Veloso)

8. Cobra coral
(Caetano Veloso, Waly Salomão )

9. Ia
(Caetano Veloso)

10. Meu Rio
(Caetano Veloso )

11. Sou seu sabiá
(Caetano Veloso)

12. Tempestades solares
(Caetano Veloso)

Comentários: 
Você costuma dizer que se interessa pelo processo de criação a partir da palavra cantada, como se letra e música fossem uma unidade. Em “Noites do Norte” existe um trabalho conceitual muito forte que parece partir da palavra escrita (Joaquim Nabuco) ou a partir do som (o trabalho com a percussão). Como foi o processo  de gestação desse
disco?

Caetano
– Meu plano inicial para o disco que terminou se chamando “Noites do Norte” era trabalhar a partir da combinação de voz e percussão. Queria fazer um disco mais de sons que de canções. Portanto, não estava pensando em partir da palavra cantada. Mas o livro de Joaquim Nabuco caiu em minhas mãos e eu não pude deixar de musicar aquele trecho sobre a escravidão. Daí voltei às canções: fiz “13 de Maio” e “Cantiga de boi”; decidi regravar “Zumbi” de Jorge Benjor e a minha “Sou seu sabiá”; enfim, voltei à palavra cantada (digo que sou escravo das canções). Mas os experimentos de voz e percussão permeiam todo o disco e lhe dão o sabor. Um sabor que é feito da tensão entre essa doce escravidão às canções e alguma liberdade tateante.
“Noites do Norte” é um disco muito variado, em gêneros, em registros, em sonoridades, em temas. Isso foi uma busca ou é resultado de um trabalho que aponta simultaneamente para diferentes alvos? Isso tem a ver com a sua idéia de fazer música com “uma visão de cineasta”?
Caetano – Cineasta, sim. “Noites do Norte” é, de fato, variado, mas muitos dos meus discos o são. Acho que isso se deve ao fato de que viso alvos diferentes ao mesmo tempo, mas também à idéia de que várias coisas diferentes justapostas podem criar uma unidade em outro nível, como na montagem cinematográfica. Sempre penso o disco como um filme. O mesmo posso dizer dos meus shows: são como um filme para mim.
Entrevista a Violeta Weinschelbaum, 2001

Opinião da casa:

Um bom álbum, pouquíssimo ouvido e comentado. Não tem um hit, uma música que tenha tocado na rádio, nada. Mas é um ótimo disco com sonoridade envolvente e letras geniais como "Cantiga de boi" e "Zera a reza", com um rap anti-enganação religiosa no fim.
"Rock'n'Raul" inicia a troca de farpas entre Caetano e Lobão por conta do verso que diz "E o Lobo bolo". Lobão respondeu com a música "Para o mano Caetano" (presente no disco "Uma odisséia pelo Unverso Paralelo", 2001) e a última rixa do século foi até capa de revista.Foi eleita como single para promover o disco.
Aqui também tem "Ia", uma espécie de proto-Cê, a agressiva "Tempestades solares" e a tentativa de um novo "Sampa" - coleção de memórias pessoais sobre a cidade - em "Meu Rio", com Dudu Nobre ao cavaquinho. Participam também Lulu Santos e Zélia Duncan no poema musicado "Cobra Coral".

Por fim, uma versão percussiva de "Sou seu sabiá", canção feita para Marisa Monte, que ganhou uma linda gravação no disco "Memórias, crônicas e declarações de amor" (2001).

1999 - Omaggio a Federico e Giulietta


1. Que não se vê (Come tu mi vuoi)
(Nino Rota, T. Amurri)

2. Trilhos urbanos
(Caetano Veloso)

3. Giulietta Masina
(Caetano Veloso)

4. Lua lua lua lua
(Caetano Veloso)

5. Luna rossa
(V. de Crescenzo, A. Vian)

6. Chega De Saudade
(Antônio Carlos Jobim , Vinicius de Moraes)

7. Nada
(Dames, Sanguinette)

8. Come prima
(M. Panzeri, S. di Paola, S. Taccani)

9. Ave-Maria
(Caetano Veloso)

10. Chora Tua Tristeza
(Oscar Castro Neves, Luvercy Fiorini)

11. Coração vagabundo
(Caetano Veloso)

12. Cajuína
(Caetano Veloso)

13. Gelsomina
(Nino Rota, M. Galdieri)

14. Let's face the music and dance
(Irving Berlin)

15. Coração materno
(Vicente Celestino)

16. Patricia
(Damaso Peres Prado)

17. Dama das camélias
(João de Barro, Alcyr Pires Vermelho)

18. Coimbra
(Raul Ferrão, José Galhardo)

19. Gelsomina
(Nino Rota, M. Galdieri)

Comentários: 
Eu estava em Nova Iorque mixando “Circuladô” quando recebi a carta de Maddalena Fellini me sugerindo, em nome da Fondazione Fellini, que eu fizesse uma apresentação em Rimini em homenagem a Federico e Giulietta. A irmã de Federico me contava que Giulietta chegara a conhecer a canção que eu escrevera sobre ela e que ficara tocada. Maddalena deplorava (quase tanto quanto eu) que o casal tivesse morrido sem que um encontro pessoal nos tivesse sido concedido pelo acaso, o destino, Deus, os deuses. Ela tinha lido minhas declarações à imprensa italiana de amor à poesia do cinema de Masina/ Fellini. Amor que se destacava como algo especial dentro da minha admiração pelo cinema italiano dos anos 40, 50 e 60. O fato disso encontrar resposta no misterioso amor de alguns italianos famosos e anônimos pela minha música, levou-a a considerar a oportunidade de um tal concerto. A carta me arrebatou.


No dia em que finalmente cheguei a Rimini para cantar, minha voz apresentou um tipo de problema que eu até então desconhecia: bem no fundo da laringe, algo quase me impedia de emitir qualquer som, embora os sons que, com um incômodo sem dor, eu conseguia produzir, saíssem consideravelmente límpidos. De modo que o controle da afinação e sobretudo das intensidades se limitava exasperantemente. Estava frio e úmido em Rimini, mas havia também uma emoção grande demais em mim. Essa emoção envolvia tristeza, orgulho exaltado e vagos medos ligados ao sentido da minha vida.
Caetano Veloso  - Realease do disco "Omaggio a Federico e Giulietta" em 1999

Opinião da casa:

Um bom disco que mostra toda reverência de Caetano a Felllini. O show é excelente e liga muito bem a trajetória de Caetano com o cinema, ainda em Santo Amaro, passando pela importância da Bossa Nova nesse conjunto de descobertas da juventude dos anos 50 (a terceira gravação de "Chega de saudade") e a sua  própria trajetória artística com letras que se pautam muito por essas imagens cinematográficas (ninguém explorou essa vertente tão bem quanto Caetano).

Surgem as belas releituras de "Giulieta Masina", "Lua lua lua lua" (numa linda versão!), "Cajuína" e "Trilhos Urbanos" - todas simples mas com uma sonoridade boa, de banda, que deixa a vontade que Caetano regrave mais coisas antigas - e inesperadas - ao vivo. Destaque para a versão inédita "Que não se vê" e para a divertida "Patrícia".

1999 - Sozinho Maxi Single


1. Sozinho - Hitmakers Classic Mix
 (Peninha)
2. Sozinho - Hitmakers Classic Radio Edit
(Peninha)
3. Sozinho - Caêdrum 'n' bass
(Peninha)


1998 - Prenda Minha Ao Vivo


CD

1. Jorge da Capadócia
(Jorge Ben Jor)

2. Prenda Minha
(Domínio público)

3. Meditação
(Antonio Carlos Jobim, Newton Mendonça)

4. Terra
(Caetano Veloso)

5. Eclipse oculto
(Caetano Veloso)

6. Texto de "Verdade Tropical"
(Caetano Veloso)

7. Bem devagar
(Gilberto Gil)

8. Drão
(Gilberto Gil)

9. Saudosismo
(Caetano Veloso)

10. Carolina
(Chico Buarque)

11. Sozinho
(Peninha)

12. Esse cara
(Caetano Veloso)

13. Mel
(Caetano Veloso, Waly Salomão, Willie Cólon)

14. Linha do Equador
(Caetano Veloso, Djavan)

15. Odara
(Caetano Veloso)

16. A luz de Tieta
(Caetano Veloso)

17. Atrás da Verde-e-Rosa só não vai quem já morreu
(David Correa, Paulinho Carvalho, Carlos Sena, Bira do Ponto)

18. Vida boa
(Armandinho, Fausto Nilo)



Áudio do show completo
 dvd + cd 

Áudio do show completo
dvd + cd

1 - Minha Voz, Minha Vida
(Caetano Veloso)

2 - Jorge De Capadócia
(Jorge Ben Jor)

3 - Prenda Minha
(D.P)

4 - Meditação
(Antonio Carlos Jobim, Newton Mendonça)

5 - Terra
(Caetano Veloso)

6 - Eclipse Oculto
(Caetano Veloso)

07 - Texto Verdade Tropical
(Caetano Veloso)

08 - Bem Devagar
(Gilberto Gil)

09 - Drão
(Gilberto Gil)

10 - Saudosismo
(Caetano Veloso)

11 - Carolina
(Chico Buarque)

12 - Sozinho
(Peninha)

13 - Esse cara
(Caetano Veloso)

14 - Mel
(Caetano Veloso)

15 - How Beautiful Could a Being Be
(Moreno Veloso)

16 - Linha do Equador
(Caetano Veloso, Djavan)

17 - Texto de Verdade Tropical/ Doideca
(Caetano Veloso)

18 - Odara
(Caetano Veloso)

19 - Não Enche
(Caetano Veloso)

20 - A Luz de Tieta
(Caetano Veloso)

21 - Os passistas
(Caetano Veloso)

22 - Atrás da Verde Rosa Só Não Vai Quem Já Morreu
(David Correa, Paulinho Carvalho, Carlos Sena, Bira do Ponto)

23 - Vida Boa
(Armandinho, Fausto Nilo)


Comentários: 
Prenda minha é o mais novo capítulo de "Livro Vivo" o show. Quem assistiu terá nas mãos o lado B do disco Livro, feito de regravações e gravações inéditas, paraágrafos ilustres escritos e reescritos pela voz de Caetano Veloso, ao vivo, durante as últimas apresentações no Metropolitan, Rio de Janeiro.
"Na verdade, a experiência com Fina Estampa me agradou muito e sempre gosto dos registros ao vivo que sucedem discos de estúdio de meus colegas, em geral e em particular do disco de Gilberto Gil 'Quanta gente veio ver' que é bacanérrimo. Só que no caso de Prenda minha, fiz uma coisa totalmente diferente, já que gravei justamente o repertório do show que não pertencia ao disco de estúdio."

Caetano abre o tabuleiro com a frase "Domínio público, Jorge Ben, Fernanda Abreu, Racionais MCs, Marinheiro só, Miles Davis", para em seguida puxar "Jorge da Capadócia" do swing man Benjor. Na fala do artista, os nomes que gravaram a música e uma redenção: "foi pra comentar e ao mesmo tempo perdoar o fato de Miles Davis ter gravado 'Prenda minha' no início dos anos 60 com Gil Evans e tê-la registrado como sendo de sua autoria. É como se eu tivesse tentando dar a bela versão de Davis/Evans de volta aos gaúchos. E é por isso também que escolhi Prenda minha como título desse trabalho."
"Meditação", de Tom Jobim, precede "Terra", tão implorada em todods os palcos onde Caetano se apresenta. A platéia explode em aplausos e perde o fôlego com "Eclipse Oculto". Pausa para respirar. Um outro texto, já escrito em Verdade Tropical, mas sempre renovado a cada citação pela força da homenagem a Gilberto Gil e Dona Canô, é a senha para "Bem devagar" e "Drão", do próprio Gil. Notas mais antigas, mas nem por isso amareladas, revelam "Saudosismo" e lembram Chico Buarque em "Carolina". Da voz de Caetano, surge "Sozinho", de Peninha, já gravada por Sandra de Sá e Tim Maia. "Esse cara" e "Mel" nos lembram outras fases dessa trajatória, nunca gravadas pelo autor. "Linha do Equador", em parceria com Djavan, "Odara" e "A luz de Tieta" retomam o clima eufórico e encaminham o álbum para "Atrás da Verde-e-Rosa só não vai quem já morreu", manifesto mangueirense de amor aos baianos que mudaram o rumo da MPB.

"Vida Boa" é a última faixa. Composição de Fausto Nilo e Armandinho, que encerra o disco numa espécie de sinopse de todo esse enredo: "você que faz minha vida variar, tá na luz que passa pelo ar, passa também pelo meu, seu... 'cantar'.
Sandra Almeida - Release do Disco "Prenda Minha" - novembro/1998

Opinião da casa:

O melhor disco ao vivo de Caetano e o mais vendido da carreira, por um motivo curioso: a regravação de "Sozinho" em voz e violão. 
Me parece que a escolha das faixas e a sequência do show, traz para o palco os capítulos principais do livro "Verdade Tropical", autobiografia de Caetano, lançada em 1997.
Assim como no livro, há capítulos sobre Gil e Bethânia, comentários sobre Dona Canô, Gal, Dedé, Chico Buarque e bossa nova. Terminando com uma atualização dos acontecimentos mais recentes, o desfile da Mangueira em homenagem aos Doces Bárbaros e o sucesso do tema do filme "Tieta".

Novamente Caetano atualiza suas canções mais antigas. "Terra" e "Eclipse oculto" estão aqui em belas versões. "Mel" e "Esse cara", as duas feitas para Bethânia, ganham versões excepcionais do autor.
A versão em castelhano de "Mel/Miel" foi apresentada no programa "Chico e Caetano" com o autor da versão, Willie Collon.  

1994 - Up from the Skies [Live in Italy]


Faixas: 

01 Bahia Com H
(Denis Brean)

02 Haiti
(Caetano Veloso/Gilberto Gil)

03 Cada Macaco No Seu Galho
(Riachão)

04 Up from the Skies
(Jimi Hendrix)

05 Esotérico
(Gilberto Gil)

06 Cinema Novo
(Caetano Veloso/Gilberto Gil)

07 Giulietta Masina
(Caetano Veloso)

08 Você É Linda
(Caetano Veloso)

09 O Ciúme
(Caetano Veloso)

10 O Estrangeiro
(Caetano Veloso)

11 Qualquer Coisa
(Caetano Veloso)

12 Terra
(Caetano Veloso)

13 Desde Que o Samba É Samba
(Caetano Veloso)

14 Serafim
(Gilberto Gil)

15 Buda Nagô
(Gilberto Gil)

16 Flora
(Gilberto Gil)

17 Aquele Abraço
(Gilberto Gil)

18 Palco
(Gilberto Gil)

19 Toda Menina Baiana
(Gilberto Gil)

20 Eu Vim da Bahia
(Gilberto Gil)

21 Sampa
(Caetano Veloso)

22 Odara
(Caetano Veloso)

23 Filho de Gandhi
(Gilberto Gil)

+artwork: Pedro Progresso
Opinião da casa: 
Um excelente bootleg do show do disco "Tropicália 2", com o qual Caetano e Gil estavam excursionando na época.
Nos momentos solo, Gil canta as excelentes "Buda nagô" e "Serafim" do disco de 91, "Parabolicamará", enquanto Caetano faz seu clássico repertório de voz/violão que viria a se repetir em alguns shows de entressafra e em gravações futuras (como o show com David Byrne, de 2004). O áudio está muito bom e vale conferir "Haiti" ao vivo com Gil e Caetano (pela única vez?), "Qualquer coisa" e "O estrangeiro" nessa versão com 2 violões que é excelente.

1997 - Livro


1. Os passistas
(Caetano Veloso)

2. Livros
(Caetano Veloso)

3. Onde o Rio é mais baiano
(Caetano Veloso)

4. Manhatã
(Caetano Veloso)

5. Doideca
(Caetano Veloso)

6. Você é minha
(Caetano Veloso)

7. Um Tom
(Caetano Veloso)

8. How beautiful could a being be
(Moreno Veloso)

9. O navio negreiro (excerto)
(Antonio de Castro Alves)

10. Não enche
(Caetano Veloso)

11. Minha voz, minha vida
(Caetano Veloso)

12. Alexandre
(Caetano Veloso)

13. Na Baixa Do Sapateiro
(Ary Barroso)

14. Pra ninguém
(Caetano Veloso)

Comentários:
Às vezes penso que minha profissão tem sido perseguir Chico Buarque. Mas é uma perseguição amorosa. E tem dado tão bons resultados já faz tanto tempo, que desta vez, ao contrário do que aconteceu com "Você não entende nada" — música que nomeei "Sem açúcar" (parafraseando "Com açúcar, com afeto") porque à época julgavam haver entre nós uma rivalidade reles —, não temi pôr o nome "Pra ninguém" na canção que, como o "Paratodos" de Chico, lista virtudes de colegas. Chorei tanto quando Chico, em sua casa, me mostrou "Paratodos", que estava certo de nunca fazer nada para macular esse sentimento. "Pra ninguém" surgiu — sem título — a partir da vontade irresistível de mencionar a gravação de Nana de "Nesse mesmo lugar" e, quase ao mesmo tempo, a de "Arrastão" por Tim Maia. Começou-se a insinuar uma lista que eu julgava impossível de pôr em música à medida em que ia fazendo exatamente isso. O título se impôs, apesar dos resquícios de supercuidado, porque ele, além de ecoar "Alguém cantando" ( "como que pra ninguém..." ), evidenciava o critério de eleições intransferivelmente pessoais, o que fazia da canção uma espécie de "festa íntima da música". A peça de Gabriel o Pensador me comove e exalta de modo semelhante à de Chico, embora em registro diferente. São grandes canções de congraçamento. Já "Pra ninguém" é uma meditação sobre o mistério do cantar (não se cita ninguém cantando nada de sua própria autoria) e do ouvir cantar. E é uma avaliação extra-técnica e supra-crítica que, no entanto, conclui com a colocação crítica e tecnicamente correta de João Gilberto em seu posto. É o João Gilberto de quem sempre emanam idéias para repertório e para tratamento de material, das quais sempre se bebe sem sempre se dar o devido crédito. "Na Baixa do Sapateiro" aqui é literalmente tirada de sua versão violinística. E essa é sua razão de ser, de estar no repertório.

Reencontro algo de Chico em "Livros". Algo além do fato de termos os dois escrito livros. A composição é buarquiana como nenhuma outra minha, embora — lembrando outra vez Gabriel — surja ali uma espécie de Chico Buarque Science.

Insisto em que há Chico em "Os Passistas", aquelas "poses nos retratos" e alguma coisa mais. Embora as mesóclises sejam um capricho bem meu. E a melodia esteja mais perto do Ary de "Rio de Janeiro" por João Bosco. ( A canção é quase um remake de "Isso aqui o que é?".) Fiquei pasmo ao ler no livro "Duas meninas", de Roberto Shwarz, uma breve análise do estilo dos passistas de escola de samba que parece uma oposição simétrica à minha canção. Ou melhor: parece uma observação das mesmíssimas sutilezas julgadas com sinal de valor trocado.

Louco pra deixar Chico em paz, falo de "Manhatã", filha de uma cruza de Sousândrade com Lulu Santos (que merece mais do que a canção). Chico não está próximo da nossa (minha e de Lulu) visão de Manhattan. As referências aos produtores de Rythm'n Blues não seriam do interesse dele (embora a menos audível leitura, em "Livros", do trecho em que Julien Sorel, numa gruta da montanha, escreve um quase livro ao cair da tarde e o queima quando a noite vai terminar talvez o fossem). O desejo de combinar moderna percussão de rua baiana com sons cool sofisticados nasceu da reaudição dos discos de Miles Davis com Gil Evans e da "Baixa do Sapateiro" de João durante a excursão de Fina Estampa pela Europa. "Manhatã" foi onde isso mais claramente se realizou.

"Onde o Rio é mais baiano" é o samba que eu fiz para a Mangueira em agradecimento a ela ter-nos escolhido — Gal, Bethânia, Gil e eu — como enredo de seu desfile de anos atrás (Será que podemos parar de pensar em Chico?). Como em "Os passistas", o samba carioca tocado nos timbaus baianos ganha um timbre e uma alma diferentes. E quando passa para "samba reggae"...

Compus "Um Tom" perto do nascimento de meu filhinho mais novo. O belo nome que lhe demos (o mesmo de Tom Jobim, o mesmo de Tom Zé, o mesmo de Tom da dupla Tom e Dito, mas principalmente o nome dessa entidade musical, dessa instância da música) me sugeriu um cântico para ser acompanhado por percussão tonal. Aqui é em Milton que a gente começa a pensar. Eu queria ficar num tom só (com sexta e nona) e fazê-lo espalhar-se por sinos, berimbaus, gamelas, marimbas. Jaques Morelenbaum transformou essas idéias numa peça de grande beleza, como só ele poderia fazer.

"How beautiful could a being be?" Meu filho mais velho, Moreno, me deu de presente esse canto único, roda de samba de uma frase só, em que um inglês filosófico ("could a being be" parece trecho de Heidegger traduzido para o inglês) é usado para soar como um singelo e enigmático refrão africano. Moreno ainda trouxe sua voz pura, seu violão tenor, seus amigos maravilhosos (David Moraes e Daniel Jobim — que diz "HOW" — e Pedro Sá e Quito) e ainda Belô Velloso, Narinha Gil e Paulinha Morelenbaum para fazerem o coro feminino.

"Alexandre é pra parecer um daqueles Jorges de Benjor (com efeito Alexandre, o Grande é identificado com São Jorge em alguns lugares por onde passou em sua marcha para a Ásia), exaltado à maneira de Tieta (como nos blocos afro) mas com uma referência à homossexualidade misturada ao gênio militar que talvez pudesse se encontrar num épico de Renato Russo, nunca num de Jorge Benjor.

"Não enche" é uma homenagem a "Se manda", de Jorge Ben. Eu adoro essa canção de extravasar agressividade para com a mulher. Adoro canções assim. Todo homem tem desejo de poder gritar contra essa personagem que sempre diz (como na genial letra de Paula Toller) "longe do meu domínio cê vai de mal a pior".

"Doideca" inspirou-se nas conversas de Hermano Viana sobre a onda techno. É mais um exemplo de meu interesse em comentar o ar dos tempos. Sobretudo é um caso de "faking the fake": tudo acústico arremedando o eletrônico. A semelhança com as coisas de Arrigo é proposital: eu não queria fazer uma mera imitação de "jungle" ou "drum'n'bass" ou seja lá o que for: queria lançar um comentário sobre o interesse de quem produz esse tipo de música erudita moderna que os próprios consumidores de música erudita desprezam. Num desses casos, é impossível não pensar em Arrigo e em Zappa. Armei a "série" de doze sons e fiz com que ela se repetisse e se invertesse ou espelhasse. Claro que eu adoraria ouvir um longo remix de "Doideca" numa "rave", com a moçada das festas da Valdemente repetindo em coro "GAY Chicago negro alemão bossa nova GAY!". Mas, como em "Odara" — que nunca foi esquecida mas nunca entrou nas discotecas —, acho que vou me contentar com ter feito o comentário.

Gravar longos trechos de "O Navio Negreiro" significou reconsiderar o aspecto popular que esse belo poema retórico não pode perder. Com a percussão, ele volta vivo, claro, irresistível. Moreno me deu outro presente na forma desse canto de capoeira que ele aprendeu não sei onde — e que ficou deslumbrante no timbre do coro feminino que ele próprio tinha escalado para "How beautiful could a being be".

Fiz "Você é minha" pra Paulinha porque às vezes me surpreendo de ter tão perto de mim uma mulher tão imponente. Aí lembro que lhe disse essa frase quando ela ainda tinha uns quatorze anos. Jaquinho e eu reforçamos as semelhanças com "Você é linda" porque achamos graciosa a ilusão de que eu tenho um estilo próprio de canção de amor.

Assim como "Na Baixa do Sapateiro" é uma faixa do disco de "standards" brasileiros (um Fina estampa luso-americano) que venho sonhando e adiando, "Minha voz, minha vida" é uma faixa do disco de canções minhas de que gosto e que foram gravadas por outros, nunca por mim mesmo, com que também sonho e que também adio. Ambas são, no entanto, faixas legítimas deste Livro: a de Ary, pelo já dito sobre João Gilberto, a minha pelo irresistível efeito da combinação da percussão de rua com a composição cool e as cordas celestiais.

Mas o disco — que se chama "Livro" porque estou lançando um livro que quase não me deixou tempo para gravar, embora não tenha me impedido de chegar a um resultado sonoro em geral caprichado —, o disco é de Márcio Vítor (nem acredito!), Du e Jó, Gustavo de Dalva, Leo Bit Bit, Leonardo, Boghan, esses percussionistas baianos que encheram o estúdio de uma vibração quase insuportável de tão intensa; é de Carlinhos Brown, que armou o "Navio Negreiro" pra mim e indicou — um por um — esses seus brilhantes discípulos; é de Beta, que veio com a sua majestade e trouxe emoção ao trecho do poema de Castro Alves como eu não poderia; é de Luiz Brasil, que escreveu arranjos de metais tão complicados de executar quanto ricos em imaginação; é de Marcelo Martins, que fez os sopros fluírem tão elegantemente em "Os passistas" que o disco abre com extrema gentileza; é de Moogie, que, embora tivesse às vezes de ir a Los Angeles (e depois tenha me levado para aquele estranho local para mixar as faixas), soube sempre descobrir e inventar sonoridades originais e eficazes; é de Marcelo Costa, que organizou o falso falso de "Doideca" e o maracatu de "Livros"; é de Pedro Sá, que com sua guitarra, fez de "Livros" uma província proguessista da Nação Zumbi; é de David Moraes, esse grande músico, que trouxe ao samba de Moreno toda a riqueza que o autor esperava e algo mais; é de Jorge Helder, Zeca Assunção, Fernando, Dadi; é dos músicos todos, cordas e sopros; de Ramiro com seus berimbaus afinados e sua precisão absoluta; finalmente é de Jaques Morelenbaum, que fez do meu sonho de grande banda cool uma realidade em "Manhatã", e de minhas idéias para "Um Tom", uma peça muito sua que é uma pequena obra-prima. Além de ter feito tudo o mais.
Caetano Veloso - Release do Disco "Livro", 1997

Opinião da casa:

(Enfim, chegamos a ele...)
Não entendo a crítica brasileira ter desdenhado dele. Talvez daqui a 30 anos aconteça de ser reconhecido pelo que é: o auge de Caetano como compositor, músico e cantor.
Sendo direto, não tem tempo ruim aqui. Apesar de ser um disco de canções variadas, há uma sequência que faz com que ele tenha sentido e se amarre bem.
Destaque para a bela abertura de "Os passistas" (relida belamente por Jussara Silveira e Luiz Brasil em "Nobreza", 2006), "Livros","Manhatã" e o hit "Não enche".
"Onde o rio é mais baiano" é o agradecimento a Mangueira que fez dos Doces Bárbaros tema do desfile de 1994, foi regravada por Bethânia em 95 em seu "Ao vivo".
"Minha voz, minha vida", feita pra Gal , tem boa releitura do compositor, que por sua vez, refaz "Na baixa do sapateiro", em versão reverente a de João Gilberto.

Tem tudo isso e... É meu disco favorito de Caetano. 

1995 - Fina Estampa Ao Vivo


CD
 
1. O samba e o tango
(Amado Reis)

2. Lamento Borincano
(Canchola Rafael Hernandez)

3. Fina Estampa
(Chabuca Granda)

4. Cucurrucucu Paloma
(Tomas Sosa Mendez)

5. Haiti
(Caetano Veloso, Gilberto Gil)

6. Canção de Amor
(Chocolate, Elano De Paula)

8. Lábios Que Beijei
(Alvaro Nunes, Leonel Azevedo)

8. Lábios Que Beijei
(Alvaro Nunes, Leonel Azevedo)

9. Você Esteve Com Meu Bem?
(João Gilberto, Antonio C. Martins)

10. Vete De Mi
(Homero Exposito, Virgilio Expocito)

11. La Barca
(Roberto Cantoral)

12. Ay, Amor!
(Ignacio Villa)

13. Pulsar
(Caetano Veloso, Augusto de Campos)

14. Contigo En La Distancia
(Cesar Portillo De La Luz)

15. Itapuã
(Caetano Veloso)

16. Soy Loco Por Ti, América
(Gilberto Gil, Capinam)

17. Tonada De Luna Llena
(Simón Díaz)

Áudio do DVD

1. O Samba E O Tango
2. Pecado
3. Lamento Borincano
4. Capullito De Alelí
5. Un Vestido Y Un Amor
6. Fina Estampa
7. Cucurrucucú Paloma
8. Vuelvo Al Sur
9. Haiti
10. Ay, Amor!
11. Canção De Amor
12. Luna Rossa
13. Lábios Que Beijei
14. Você Esteve Com Meu Bem?
15. Chega De Saudade
16. O Leãozinho
17. Pulsar
18. Recuerdo De Ypacarai
19. Itapuã
20. Soy Loco Por Ti, América
21. Tonada De Luna Llena
22. Rumba Azul

VELOAD!

Comentários:
 "La Barca", que Caetano cantou num único show, acabou indo para o disco. "Cantar essa música seria tão óbvio, e eu queria tanto fugir das obviedades, que ela não estava programada. Mas uma noite me vi cantando La Barca, e gostei tanto que ela foi para o disco", afirmou Caetano. A inclusão das canções brasileiras foi feita, segundo ele, de forma quase didática, como que refazendo a trajetória da música brasileira e a da formação musical do próprio Caetano. Caetano disse que o disco concretiza o projeto de cantar profissionalmente o repertório hispano-americano dentro da perspectiva da música popular brasileira. "É uma responsabilidade muito grande, maior do que o meu pequeno talento. Me orientei pelo prazer de cantar cada palavra de cada canção. Não diria que é um disco romântico, mas sentimental", afirmou.
Folha de São Paulo - 21/12/95 - caderno Ilustrada sucursal Rio de Janeiro

Opinião da casa:

Um grande disco de show. Acontece que as canções brasileiras que estão aqui se destacam muito, em especial "Você esteve com meu bem?", minha favorita, em um arranjo lindo.
De autoria de Caetano, tem "Itapuã" numa versão solene, "Haiti" um pouco mais pesada do que a original e "'Pulsar", orquestrada - muito boa. Mas quem Caetano quis recuperar foi "Soy loco por ti America" que sempre achei chata, mas aqui está num andamento bom e apresentando outras nuances. 

Atenção para "Cucurrucucu Paloma", querida dos cineastas, que faz parte da trilha sonora de "Happy Together" (de Wong Kar-wai, 1997), de "My son, What have Ye done" (de Werner Herzog, 2009) e, por fim, garantiu a Caetano a participação em "Hable con ella" (de Pedro Almodóvar, 2002)

1994 - Fina Estampa



1. Rumba Azul
(Armando Orefiche)

2. Pecado
(Carlos Bahr, Armando Pontier)

3. Maria Bonita
(Agustin Lara)

4. Contigo En La Distancia
(Cesar Portillo De La Luz)

5. Recuerdos De Ypacarai
(Demetrio Ortiz, Zulema Estela de Mirkin)

6. Fina Estampa
(Chabuca Granda)

7. Capullito De Aleli
(Canchola Rafael Hernandez)


8. Un Vestido Y Un Amor
(Fito Páez)

9. Maria La O
(Ernesto Lecuona)

10. Tonada De Luna Llena
(Simón Díaz)

11. Mi Cocodrilo Verde
(Jose Dolores Quinones)

12. Lamento Borincano
(Canchola Rafael Hernandez)

13. Vete De Mi
(Homero Exposito, Virgilio Expocito)

14. La Golondrina
(Narciso Serradell, Niceto de Zamacois)

15. Vuelvo Al Sur
(Fernando Ezequiel Solanas, Astor Piazzolla)

Comentários:
Para mim, o destino ideal deste disco é aprofundar o diálogo com algumas pessoas que, espalhadas pela América Espanhola, vêm há algum tempo generosamente prestando atenção à minha música. A ambição de aumentar o número dessas pessoas, embora me pareça legítima, é secundária e só aparece como subproduto do desejo da gravadora para a qual trabalho, de ampliar o mercado hispano-americano para os meus discos. O que importa, no entanto - e o que define o perfil desta 'fina estampa' - é que, apesar de ser aparentemente um gesto dirigido para fora da minha língua e da minha cultura, trata-se antes de um movimento para dentro de minha memória mais íntima e para o interior do Brasil: na cidadezinha de Santo Amaro, na Bahia, onde nasci e vivi até os 18 anos, ouviam-se, nos anos 40 e 50, canções cubanas, mexicanas, argentinas, paraguaias ou porto-riquenhas que marcaram a formação de toda uma geração. Elas são 'minhas', estão ligadas a recordações de família e de amizade que me dão uma espécie de direito sobre elas - e sem dúvida lhes dão um imenso poder sobre mim.Se hoje sou capaz, às vezes, até mesmo de conversar em espanhol (se o interlocutor não fala português), devo-o aos boleros e às rancheiras, às rumbas e aos tangos, aos merengues e as guarânias. A única coisa que não posso dizer é que foi com muita dor e dificuldade que deixei de fora um número pelo menos tão grande de canções igualmente representativas disso e, portanto, igualmente adequadas a este disco, quanto o das que gravei. E o que o número das gravei - e de que não quis abrir mão - é maior do que a gravadora desejaria.
Caetano Veloso - 28/07/94 - Folha da Bahia

Opinião da casa:

Começa a frutífera parceria com o maestro Jacques Morelenbaum. E aqui já se nota uma sonoridade melhor, mais elaborada, que se aprimoraria nos discos seguintes.
Gosto bastante do tratamento dado a essas canções. Caetano é um intérprete sensível, um curador exemplar ao trazer essa memória afetiva nas suas escolhas. Esse disco inclusive é muito mais original e melhor do que o proposto pela gravadora na época, que era fazer um cd com versões em espanhol de hits de Caetano. 
Gosto de "Rumba azul" e "Maria la O". Mas os destaques são "Tonada de Luna llena" e "Lamento Boricano". Acabou virando uma grande referência no exterior.

1993 - Marcianita (Maxi Single)


1. Marcianita (com Os Mutantes) 
(José Imperatore Marconi/Galvarino Villota Alderete - Vers. Fernando César) 

2. Ouro de tolo  (do CD “O início o fim e o meio” - Epic, 1991)
(Raul Seixas) 

3. Fera ferida (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)  

4. Sonhos 
(Peninha) 

5. Pecado Original 
(Caetano Veloso)

Comentários: 
(retirado do blog Caetano en detalle)  
(obrigado a Leandro Moura pelos scans e áudios do single original)  

1993 - Tropicália 2


1 Haiti
(Caetano Veloso, Gilberto Gil)   

2 Cinema novo   
(Caetano Veloso, Gilberto Gil)   

3 Nossa gente
(Roque Carvalho)   

4 Rap popcreto
(Caetano Veloso)   

5 Wait until tomorrow   
(Jimi Hendrix)   

6 Tradição   
(Gilberto Gil)   

7 As coisas
(Arnaldo Antunes, Gilberto Gil)   

8 Aboio
(Caetano Veloso)   

9 Dada
(Caetano Veloso, Gilberto Gil)   

10 Cada macaco no seu galho (Cho chuá)
(Riachão)   

11 Baião atemporal
(Gilberto Gil)   

12 Desde que o samba é samba    
(Caetano Veloso)

Comentários
Este é um disco de 25 anos para comemorar os 26 anos de tropicalismo. Foi concebido inicialmente como um meio de fugir às outras formas de comemoração que nos eram propostas o ano passado. No dia da festa de 80 anos de Jorge Amado, no sobrado que servia de camarim para muitos artistas e de camarote para muitos políticos, diante de convites para uma celebração de bodas de prata do tropicalismo com praça pública, sinfônica e honrarias oficiais, virei-me para Gil e sugeri por que não comemoramos os dois sozinhos, fazendo um disco à parte, um disco que valha por si mesmo como uma reafirmação da garra tropicalista Gil animou-se com a idéia e eu comecei a ter idéias e ele começou a fazer canções.
As primeiras idéias foram prefigurações das canções Cinema Novo, Rap Popcreto, Haiti e Aboio, e da regravação de Wait Until Tomorrow. As primeiras canções foram Dada, Baião Atemporal, outras lindas do Gil que não foram incluidas no disco e Desde que o Samba é Samba, que eu já vinha fazendo desde muito antes de imaginar que este disco seria feito. Aos poucos foram insinuando Nossa Gente (na Bahia, às vésperas do carnaval, essa canção do Olodum era a paixão de todo mundo e nós não quisemos resistir ao desejo de também gravá-la), Tradição (um velho sonho meu era ouvir essa música registrada de modo a não esconder seu encanto e outro sonho era cantá-la numa gravação), a volta de Cada Macaco no seu Galho (Gil e eu não lembrávamos que já a tínhamos gravado antes em disco - a sensação de que essa música de Riachão cantada por nós dois era a marca registrada do dueto se confirmou com a deslumbrante redescoberta do número num antigo especial da Tv Globo gravado no Municipal em 72 e a decisão de regravá-la reforçou-se pelo reconhecimento de uma linha solteropolitana que vai de Riachão a Carlinhos Brown, pela graça que encontramos nesse chamar a Bahia de mãe preta cujo leite já encheu sua mamadeira, e pelo desprezo com que tratamos toda conversa sobre separatismo), As Coisas (Gil enamorou-se dos textos de Arnaldo Antunes no seu belo livro de mesmo título e fez uma canção mais pra o rock’n’roll moderno e nós enamoramos da canção).

(...) Um dia Peter Gabriel veio me ver no estúdio da PolyGram. Acho que tinham lhe falado de uma gravação minha em que eu misturava escola de samba com teclados (era o É Hoje da União da Ilha no LP Uns). O fato é que ele, muito gentil, se mostrou entusiasmado com a idéia e decepcionado com o resultado. Eu próprio, ouvindo ao lado dele, achei tudo muito sujo, o som empastado. Ele então me aconselhou o artista não deve produzir os próprios discos, a presença do produtor que se ocupará de conseguir, organizar e criticar os sons é necessária, para deixar o artista fazer sua coisa com calma e o resultado geral terá maior clareza. Fiquei com isso na cabeça, e logo depois, Vinícius Cantuária me comunicou sua decisão de deixar a banda pra trabalhar seu próprio repertório e me sugeriu que criasse uma banda nova. Veio o Velô, em que eu parti para uma outra solução fazer uma excursão com o show antes de gravar o disco e gravá-lo com os arranjos amadurecidos. Pedi a Ricardo Cristaldi, o tecladista da banda nova, para atuar como produtor na fase de acabamento do disco. Só depois é que eu fui fazer a experiência com Guto Graça Mello, Arto Lindsay e Peter Scherer. Liminha é um tropicalista histórico, de primeira hora. Foi comigo - e na época do tropicalismo - que ele começou sua vida profissional como (excelente) contrabaixista. Depois é que ele foi tocar com os Mutantes, em sua versão progressiva dos anos setenta. O famoso produtor que imprimiu sua marca de sonoridade no rock Brasil dos anos oitenta e trouxe desembaraço tecnológioco para todos os discos de Gil dos últimos anos - esse é um personagem novo para mim. Foi extraordinariamente produtivo trabalhar com ele, que assumiu o papel propriamente do produtor - eu e Gil assinamos a co-produção apenas porque já fomos para ele com planos de arranjo muito definidos e porque algumas coisas (Nossa Gente, Desde que o Samba é Samba, Baião Atemporal) gravamos enquanto ele estava em Los Angeles.

(...) O resultado é um disco que, para nós, é satisfatório o tempo todo e, em muitos momentos, fundamente emocionante. Sempre quis gravar  Desde que o Samba é Samba com Nico Assumpção. Sempre quis gravar Cinema Novo com Rafael e Luciana Rabello. Rafael trouxe o Octeto Brasil e Dininho e Guerra Peixe. Gil sugeriu Serginho Trombone para escrever os arranjos de Nossa Gente, e Tradição. Gil e eu escolhemos juntos a dupla Carlos Bala e Arthur Maia para ser a base de Nossa Gente. Chamei Dadi e Marcelo Costa para Dada. Gil chamou Celso Fonseca para Baião Atemporal. Liminha teve a idéia de convidar Brown e a Timbalada para tocar Cada Macaco no seu Galho, eu e Gil achamos certo por causa da relação que fazemos entre Brown e Riachão, mas temíamos que Brown agora não tivesse tempo. Brown passou no Rio, foi ao estúdio, Liminha sugeriu, ele aceitou logo e fomos pra Bahia gravar aquela música mais Wait Until Tomorrow. Esta última eu tinha planejado fazer cool, só com os violões acústicos, mas a experiência com a turma de Brown nos conquistou. Dada teria que ter um violoncelo, e naturalmente, queríamos Jaquinho Morelenbaum. Como este estava em turnê pela Europa e não voltaria a tempo, aceitamos a sugestão de convidar Lui Coimbra e este convidou Rodrigo Campelo para escrever os arranjos dos cellos com ele. Além de ficar maravilhoso, a frase de Os mais doces dos bárbaros que Campelo incluiu no contraponto funciona tanto como um abraço no Jaquinho (que faz variações sobre ela na abertura do show Circuladô) quanto como uma referência a outro momento em que Gil e eu cantamos juntos, no grupo Doces Bárbaros.

A ausência de Jaquinho terminou rendendo para mim uma outra alegria, tão grande quanto a tristeza de não tê-lo no disco Liminha, tendo ouvido que meu filho Moreno estudava violoncelo, sugeriu que tocasse as frases solitárias de Haiti. Como tudo correu bem, Liminha pediu a Moreno que também fizesse as intervenções em As Coisas. Moreno trouxe seu amigo Pedro Sá ao estúdio e eu aconselhei Liminha a usá-lo na mesma faixa. Todos ficaram entusiasmados com sua técnica e inspiração. Outro amigo de Moreno já tinha gravado (de modo não menos entusiasmante) a flauta de Baião Atemporal. Lucas Santana, da família de Irará à qual Gil se refere na letra (a mesma que pertence Tom Zé). O pai de Lucas, Roberto Santana, foi quem me apresentou a Gil. Pedro Sá trouxe outro amigo deles, Daniel Jobim, filho de Paulinho, neto de Tom, pra tocar teclados. Nara, filha de Gil, tinha sido a causa da escolha de Wait Until Tomorrow porque, aos dois anos, na época do tropicalismo, ela pedia pra gente botar na vitrola essa canção de Hendrix mais vezes do que as outras que nós já ouvíamos tanto. E, como desde então ela cantava o refrão, nós chamamos para cantá-lo agora conosco.
Assim creceu o tom de festa em família e a sucessão de gerações que permeia o disco e que nos fez constantemente pensar em Pedro era impossível não vê-lo tocando bateria no estúdio, às vezes parecia que ia se tornar impossível não vê-lo ali. Quando vivo, ele me inspirava, entre outras coisas, um grande respeito. Agora, desejo que as coisas se façam dignas da memória dele. Rita Lee, Arnaldo Baptista, Sérgio Dias, Rogério Duprat, Tom Zé, Torquato, Capinam, Gal - não estão presentes ‘diretamente’ no disco (fora um velho quem de Gal em Rap Popcreto). Mas nós sabemos que eles participam deste trabalho ainda mais do que do resto de nossas atividades.
Caetano Veloso - Release do disco Tropicália 2, 1993

Opinião da casa: 

O que talvez tenha diminuído o impacto desse disco foi o buzz, a expectativa gerada em torno dele à época. Eesse título, "Tropicália 2", o reencontro de Gil e Caetano. Tudo isso faz a gente pensar que é um álbum revolucionário, antológico, uma recriação do movimento. Mas, calma. É apenas um disco.  Um ótimo disco.

Tenho um roteiro pra esse disco: ouço as seis primeiras, depois pulo pra "Dada" e depois pra "Baião Atemporal" e "Desde que o samba é samba" (eternizada por João Gilberto, em "Voz e violão", 1999). 
A produção, ressaltada por Caetano no texto, realmente é muito boa.
No geral é um disco simpático, com grandes momento ("Haiti" seguido de "Cinema novo" é uma explosão) e boas releituras ("Nossa gente" saudando a axé music e "Wait until tomorrow" lembrando London?) além da minha segunda interpretação favorita de Caetano (de todos os tempos), "Tradição". 
O show do disco, no entanto, foi power. 

1992 - Circuladô Vivo


Disco 1

1. A tua presença morena
(Caetano Veloso)

3. Um índio
(Caetano Veloso)

4. Circuladô de fulô
(Caetano Veloso, Haroldo de Campos)

5. Queixa
(Caetano Veloso)

6. Mano a mano
(Carlos Gardel, João Razzano, Esteban Celedonio Flores)

7. Chega De Saudade
(Antônio Carlos Jobim , Vinicius de Moraes)

8. Disseram que eu voltei americanizada
(Vicente Paiva, Luiz Peixoto)

9. Quando Eu Penso Na Bahia
(Ary Barroso)

10. A Terceira Margem Do Rio
(Caetano Veloso, Milton Nascimento)

11. Oceano
(Djavan)

Disco 2

12. Jokerman
(Bob Dylan)

13. Você É Linda
(Caetano Veloso)

14. O Leãozinho
(Caetano Veloso)

15. Itapuã
(Caetano Veloso)

16. Debaixo Dos Caracóis Dos Seus Cabelos
(Erasmo Carlos , Roberto Carlos)

17. Os mais doces bárbaros
(Caetano Veloso)

18. Chuva, suor e cerveja (Rain, sweat and beer) /
A filha da Chiquita Bacana
(Caetano Veloso)

19. Sampa
(Caetano Veloso)

Comentários:
Há aspectos de Circuladô, tanto no disco quanto no show, que mostram você particulamente preocupado com a realidade brasileira. Por que especialmente agora?

Caetano - Eu não sei lhe dizer se estou mais preocupado agora do que antes, porque vejo em outras canções minhas de outras épocas também evidência de preocupação com a situação social e política do Brasil. Mas também sei que estava muito preocupado em períodos em que esse tema não aparece explicitado nas canções. Estou querendo dizer que não é na razão direta necessariamente do grau de preocupação que isso aparece nas canções têm uma dialética própria, quer dizer, elas têm uma vida que precisa ser vista no mundo das canções. A vida das canções é melhor compreendida dentro do mundo das canções. Há exigências internas na feitura de canções, que levam a uma maior ou menor presença de certas temáticas nas músicas, que podem ser mais determinantes que uma decisão consciente do autor no sentido de mostrar-se mais ou menos preocupado com tais questões.
Entrevista à J.Jota de Moraes - 05/92 - Revista do CD

Opinião da casa:

Diferente dos outros discos ao vivo onde as idéias eram excelentes e a execução era irregular, aqui ocorre o contrário: a tentativa de criar um disco de melhores momentos do show Circuladô como se fossem faixas individuais não foi das melhores. Os cortes são mal feitos, os aplausos desconexos, a ordem do show toda trocada (por exemplo, a faixa "Os mais doces bárbaros" que era a abertura do show aqui é a penúltima). 
No entanto, o que se ouve é fantástico. 

A partir desse ao vivo, Caetano começa a recuperar músicas antigas e melhorá-las com arranjos mais bonitos, atuais e talvez até atemporais. É o caso de "Os mais doces bárbaros" e "Um índio" do período dos Doces Bárbaros. 
"Queixa" e "A tua presença" já eram boas. "Sampa" é totalmente referente à gravação de "Muito", de 1978.
"O leãozinho", aparece em versão de baixo e voz, com solo de Dadi, em quem a canção foi inspirada. 
Show que marca os 50 anos de idade de Caetano e que merecia registro na íntegra.

1992 - Cantando Caetano [Songbook]


Faixas: 

1 Grafitti
(Caetano Veloso)

2 Peter Gast
(Caetano Veloso)

3 Trem das cores
(Caetano Veloso)

4 Muitos carnavais
(Caetano Veloso)

5 Louco por você
(Caetano Veloso)

6 No dia que eu vim-me embora
(Caetano Veloso)

7 Super bacana
(Caetano Veloso)

8 Este amor
(Caetano Veloso)

9 Love, love, love
(Caetano Veloso)

10 Eu te amo
(Caetano Veloso)

11 Um dia
(Caetano Veloso)

1991 - Circuladô


1. Fora da ordem
(Caetano Veloso)

2. Circuladô de fulô
(Caetano Veloso, Haroldo de Campos)

3. Itapuã
(Caetano Veloso)

4. Boas-vindas
(Caetano Veloso)

5. Ela ela
(Caetano Veloso, Arto Lindsay)

6. Santa Clara, padroeira da televisão
(Caetano Veloso)

7. Baião da Penha
(David Nasser, Guio de Moraes)

8. Neide Candolina
(Caetano Veloso)

9. A Terceira Margem Do Rio
(Caetano Veloso, Milton Nascimento)

10. O cu do mundo
(Caetano Veloso)

11. Lindeza
(Caetano Veloso)

Comentários: 
Considero Circuladô um dos momentos mais altos da produção de Caetano. É um CD no qual ele retoma a interessante linha de experimentalismo do disco Araçá Azul, de 1973, harmonizando-o com o cantabile de sua canções mais pulsivas e singelas. Devo destacar que o trabalho que ele fez, ao músicar o fragmento 'Circuladô de Fulô', de minhas 'Galáxias' (poemas), é particularmente admirável por retratar com fidelidade seu conteúdo. Caetano ouviu-me ler esse texto apenas uma vez - recordo-me que foi em 1969 -, quando tive oportunidade de visitá-lo no seu exílio londrino. Para mim, foi gratificante. Ele soube restituir-me com extrema sensibilidade - uma característica dele - o clima do meu poema, que é, todo ele, voltado à celebração da inventidade dos cantadores nordestinos no plano da linguagem e do som, na grande tradição oral dos trovadores medievais
Haroldo de Campos - Revista do Cd, 05/92
A capa desse disco é curiosa. Foi uma idéia minha mesmo. O acaso contribuiu, com esse girassol. Foi difícil conseguir um girassol no Rio e acabei recebendo um que veio de longe, estava meio murcho. Mandei fotografar assim mesmo e, depois de reveladas as fotos, a imagem estava assim, me lembrando um sol, uma juba de leão, tantos detalhes, milhões de elementos.

Fiz esse disco com o Arto Lindsay, e o fiz bem do jeito que eu queria. Adoro. Tem "Fora da ordem", que é curiosa. A canção-título, "Circuladô de fulô", é linda. Também adoro "Itapuã", que meu filho Moreno canta comigo e é uma canção que fiz pra mãe dele, a Dedé. Tem "O cu do mundo", letra que foi muito comentada.
Depoimento a Charles Gavin e Luís Pimentel - Livro "Tantas canções", 2002    

Opinião da casa:

Outro do top 5 de melhores trabalhos de Caetano. Um disco que não envelhece, não cansa, não deixa de se mostrar interessante e cada vez mais atual. É também um dos meus preferidos.
"O cu do mundo" me abate até hoje, além de me chocar pela crueza (principalmente com tantas repetições do refrão) parece um mantra terrível. Não há um momento menor no disco. Todas as faixas estão num nível de excelência incrível.
Mas ressalto que as pessoas deveriam prestar mais atenção a "Santa Clara, Padroeira da televisão", que é tão esquecida quanto linda.
Desse disco, pouca coisa foi regravada. "Lindeza" está na voz de Gal ("Mina d'água do meu canto", 1995),  "Baião da Penha", na voz de Gil ("Eu, Tu, Eles", 2000) e "Fora da ordem" com o uruguaio Jorge Drexler ("A tribute to Caetano Veloso", 2012)