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1976 - Doces Bárbaros


Disco 1
01. Os mais doces bárbaros - Caetano/Gal/Gil/Bethânia
(Caetano Veloso)

2. Fé cega, faca amolada - Caetano/Gal/Gil/Bethânia
(Milton Nasciment/Ronaldo Bastos)

3. Atiraste uma pedra - Caetano/Gal/Gil/Bethânia
(Herivelto Martins/David Nasser)

4. Pássaro proibido- Caetano
(Caetano Veloso)

5. Chuck Berry fields forever - Caetano e Gil
(Gilberto Gil)

6. Gênesis - Caetano/Gal/Gil/Bethânia
(Caetano Veloso)

7. Tarasca guidon - Caetano/Gal/Gil/Bethânia
(Waly Salomão)

Disco 2
8. Eu e ela estávamos ali encostados na parede - Caetano e Gil
(Gilberto Gil/Caetano Veloso/José Agrippino de Paula)

9. Esotérico- Gal e Bethânia
(Gilberto Gil)

10. Eu te amo - Gal Costa
(Caetano Veloso)

11. O seu amor - Caetano/Gal/Gil/Bethânia
(Gilberto Gil)

12. Quando - Gilberto Gil
(Gilberto Gil/Gal Costa/Caetano Veloso)

13. Pé quente, cabeça fria - Caetano/Gal/Gil/Bethânia
(Gilberto Gil)

14. Peixe- Caetano/Gal/Gil/Bethânia
(Caetano Veloso)

15. Um índio - Maria Bethânia
(Caetano Veloso)

16. São João, Xangô menino - Caetano/Gal/Gil/Bethânia
(Caetano Veloso/Gilberto Gil)

17. Nós, por exemplo- Caetano/Gal/Gil/Bethânia
(Gilberto Gil)

18. Os mais doces bárbaros
(Caetano Veloso)

Observação: 
o áudio desse disco é de seu relançamento mais recente: 2006, da coleção "Viva Bethânia",
razoavelmente superior à remasterização de 2002

Comentários:
Doces Bárbaros, apenas nós

Quando nós, do grupo Doces Bárbaros, íamos para o Galeão para a nossa primeira viagem, o automóvel de Elizete Cardoso emparelhou com o nosso e ela nos sorriu de lá, acenando. Nós saímos para a excursão abençoados. Não é sempre que acontece a gente poder harmonizar tantas energias numa luz clara. E não é fácil. O que Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia e eu estamos conseguindo agora é isso. Saímos por aí sem intenção de criar ou resolver problemas, esmiuçar polêmicas ou aceitar provocações, Bob Marley: "Don't deal with dark things". João Donato e Jorge Ben. Gente de fé reconquistada, mostrando com simplicidade a poesia e a música da vida, do que vive, do que está vivendo - os Orixás, as pessoas boas, bonitas e fortes, os peixes e a esperança. Dentro das nossas possibilidades imediatas, o nosso trabalho, é bom. É o que nos basta. Ao resto. Por exemplo: a cidade de Florianópolis (nome que deram à cidade de Desterro) não deveria constar da lista de cidades visitadas porque a produção não considerava uma boa praça (180 mil habitantes). Por insistência minha e de Gil é que ela entrou. Gal não queria e Bethânia teve um quase pressentimento de nossa ida lá não seria boa. Quando os policiais interromperam o nosso sono e a nossa alegria, eu disse a Gal: "Parece que ter vindo a Florianópolis foi um gesto livre demais e isso subiu à cabeça do delegado". De fato, conhecidos meus de lá me diziam: "Eu não acreditava que vocês viessem até que vi vocês aqui". Um chegou a me perguntar: "Por que vocês incluíram Florianópolis no roteiro?!" - "Por amor", eu respondi. A polícia entrou no apartamento de Gal Costa, Maria Bethânia, Lea Millon, Eunice Oliveira, Maria Pia de Araújo, Guilherme Araújo, Chiquinho Azevedo, Djalma Correia, Arnaldo Brandão, Perinho Santana, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tuzé Abreu, Mauro Genise, Tomás Improta, Daniel e, ainda, nos dos técnicos de som e luz, alegando ter recebido uma denúncia de Curitiba. Contra quem, contra todos esses nomes? Eles conseguiram levar Gil e Chiquinho. Nós não saímos pra discutir as leis nem a moral. Nem a religião, nem a política, nem a estética. Nós não saímos pra discutir. E não discutiremos. Mas saímos com uma imensa carga de luz de vida, com amor no coração. É muito difícil alguém chegar a poder dizer isto, mas eu digo que nós somos um grupo de gente que saiu por aí trabalhando pelo Bem. E quem quer que - na polícia, na imprensa, no inferno - queira atacar ou nos atrapallar, estará trabalhando para o Mal.
Caetano Veloso - Boca do Inferno nº2, Salvador, Agosto de 1976 
A sugestão foi de Bethânia, e partindo dela, era uma convocação. Ela teve um sonho, não sei o quê, Gil largou uma excursão no meio. Bethânia falou e ele parou tudo. Fizemos o repertório, divino, em duas semanas, mas a gravação ao vivo saiu suja. A gente queria gravar tudo bonitinho em estúdio, mas as mulheres não quiseram. Coisa de mulher. O Festival de Montreaux quer reunir novamente os Doces Bárbaros. Só depende da Bethânia. Se ela convocar... O show ficou muito bonito, romântico, baiano, colorido, sensual, extrovertido. É preto. É baiano.
Depoimento à Marcia Cezimbra  - Jornal do Brasil - 16/05/91
A gente (eu, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Gal Costa) nem sabe direito porque se juntou para fazer este 'show' em conjunto. Porque a gente já é há tanto tempo... O engraçado é que a gente agora virou os quatros sob um nome só: Doces Bárbaros.
Outro dia, conversando com Gilberto Gil, eu disse: "Acho que a gente agora é um grupo porque foi ficando cada vez mais parecidos uns com os outros, até fisicamente".

Quando eu era menino, e mesmo quando adolescente, eu e Maria Bethânia não eramos dois irmãos parecidos: até o contrário, eramos desses irmãos de tipos diferentes dentro de uma família de muitos irmãos. E no entanto, hoje em dia, na contra-capa do 'long-play' de Gal e Caymmi, eu vi uma foto de Gal em que eu achei ela parecida comigo.

Quando eu e Maria Bethânia viemos para São Paulo em 1965 e que Bethânia foi fazer o espetáculo Opinião, Gilberto Gil já estava morando lá e Gal foi passar uns tempos conosco. Gal tinha o cabelo curto e fisicamente era completamente diferente de Maria Bethânia. Mas as pessoas viam Gal na rua, apontavam o dedo para ela e diziam: "Olha lá a Maria Bethânia".
A gente ficava assustado porque achava que Gal e Maria Bethânia eram duas pessoas totalmente diferentes. Que as pessoas deviam achar uma parecida com a outra assim como a gente acha um japonês parecido com o outro.
Gil, por sua vez, era gordo, não tinha ângulo nenhum no corpo e comia muito, muitíssimo.
Depois, ele fez macrobiótica, emagreceu e foi ficando com o corpo muito parecido com o meu, que é muito parecido com o corpo de Bethânia.
Tempos mais tardes, quando apareceu o grupo Novos Baianos, a gente (eu, Gal, Gil e Bethânia) ainda não se achava parecido.

Mas quando eu voltei de Londres falava-se muito no "morro da Gal, nas dunas do barato" e constatei que Gal Costa tinha criado uma moda, um modo de ser, de vestir, de usar o cabelo.
Foi mais ou menos nesta época que 'O Pasquim' começou a reclamar como quem reclama contra a raça. Aliás, uma das canções mais lindas dos Novos Baianos dizia: "Saindo dos prédios para a praça, uma nova raça..."

Depois, todo mundo viu, na televisão, o Chico Anísio fazendo uma imitação do baiano e eu acho que ele fazia muito bem, de um modo bonito. De maneira que a gente, aos olhos dos outros, já era, sem saber, os Doces Bárbaros. Mas não só a gente mesmo não se achava parecida ainda, como também estava mais do que nunca cada um individualizando tudo o que fazia. Talvez foi por isso mesmo que a gente tenha conseguido agora se tornar capaz de ser um grupo, resultado de nossas vivências comuns e separadas durante todos esses anos em que fazemos música.

De modo que Doces Bárbaros é uma coisa que se formou em nós, através de nós e até mesmo a despeito de nós. É uma nova raça.
As músicas que iremos tocar e cantar são todas nossas, com exceção de algumas de outros autores, como Caymmi, Milton Nascimento e Herivelto Martins. A partir do 'show', gravaremos um 'Long-play'. Gostaria também de mencionar todos os músicos que vão tocar com a gente. Na guitarra, Perinho Santana, no contrabaixo, Arnaldo Brandão, na bateria, Chiquinho Azevedo, no piano, Tomás, na percussão, Djalma Correia, na flauta e saxofone, Tuzé e Mauro.

Se eu fosse lembrar a nossa história, digo, a história de Gal Costa, Gilberto Gil, Maria Bethânia e eu, eu teria de falar no Teatro Vila Velha, de Salvador, em uma porção de coisas que todo mundo já sabe e talvez até em algumas que ninguém sabe.
Ia falar também em Roberto Santana, que me apresentou a Gilberto Gil, em Álvaro Guimarães, que faz cinema e teatro e, de uma certa forma, me levou a fazer música, em Maria Muniz, em mil outras gentes.

Mas se eu quiser mesmo contar ou resumir a história dos Doces Bárbaros, vou ter que falar talvez em outros planetas, em outras dimensões, em coisas que nem sei...
Mas para as pessoas que já nos vêem como um grupo há tanto tempo, ou seja, como um punhado de gente que tem características comuns, mesmo físicas, Doces Bárbaros não é senão o óbvio. Para nós, é a maior novidade. E é tudo igual.

Somos muito diferentes uns dos outros. Todo mundo sabe que fui eu que escolhi o nome de Maria Bethânia. Eu tinha quatro anos quando ela nasceu. Por isso, ela, necessariamente, aprendeu muito comigo. Mas ela é estruturalmente uma rebelde e terminou me ensinando as coisas fundamentais desta vida. Gal, eu encontrei pronta. Uma vez, há tanto tempo que nem me lembro mais, ela cantou uma música qualquer e eu disse que ela era a maior cantora que já surgiu no Brasil. Quando morava na Bahia, eu ouvia João Gilberto dia e noite e eu ouvia João Gilberto dia e noite. Quando nos vimos pela primeira vez, já eramos, musicalmente irmãos.

Hoje em dia, Gilberto Gil está refazendo a cabeça de todo mundo. Um dia, Rogério Duarte (que também teve grande importância nesta história toda) falou que Gil era o profeta e eu o apóstolo. Entre outras coisas, acho que a gente trabalhar em grupo está sendo maravilhoso, porque nós três vamos aprender e estamos aprendendo muito com Gil. Acho que ele é mesmo o mestre. Gilberto Gil faz e refaz a cabeça de todo mundo.

Vocês, que me lêem, já ouviram falar em 'supergroups'? Pois bem, Doces Bárbaros é um subgrupo. No sentido de um grupo étnico. Ha-ha-ha-ha! E agora eu pergunto a mim mesmo: como será a nossa cara? Queremos ser Doces Bárbaros assim como o doce de jenipapo é um doce bárbaro! Gilberto Gil disse que ele é cocada-puxa e que eu sou 'amada', um doce que se faz na Bahia usando gengibre, farinha de mandioca e rapadura.

Para mim, Gal Costa é centro. O meio de tudo. A voz. A voz da qual nós (inclusive ela - todos os bárbaros doces) somos apenas vozes.
Mas que horda é esta que vem do planeta terra bahia, todos os santos?
Está bom. Os ensaios estão bem calmos, nos divertimos e cantamos canções cantáveis. E, para finalizar, não há nada que eu possa dizer sobre qualquer um de nós que ajude a me dar, a te dar, a dar a todo mundo uma idéia do que seremos.
Caetano Veloso  - Revista "Ele e Ela" nº 86 - 06/76 

Opinião da casa: 

Esse disco é o caso onde a idéia é fantástica e o resultado deixa a desejar. 
A idéia de reunião é boa: os quatro Bárbaros estavam em seu auge nas carreiras individuais. As canções inéditas são incríveis e havia uma liberdade muito grande entre o grupo.
Sobre o disco: deveria ter sido gravado em estúdio. Ao vivo há bons momentos do grupo inteiro, como em "O seu amor" e "Fé cega, faca amolada", mas os solos são melhores: Gal em "Eu te amo", Bethânia em "Um índio", Gil em "Quando" e Caetano em "Pássaro proibido". Há um duo antolólogico de Gal e Bethânia em "Esotérico" e outro bom também de Cae e Gil em "Chuckberry Fields Forever", mas faltou uma captação melhor. 

Um comentário:

marquinhos disse...

CARA VOCE É MARAVILHOSO! EU SEMPRE FIZ ESSE COMENTÁRIO COM A GRAVADORA QUE RELANÇOU OS CD DE GAL COSTA EMM RELAÇÃO AO ÁUDIOS QUE SÃO PÉSSIMOS, ABAFADOS E QUASE VOCÊ NÃO CONSEGUE OUVIR ALGUNS INSTRUMENTOS, SÃO ELES, ÁGUA VIVA 1978, CARA & BOCAS 1977 E GAL CANTA CAYMMI 1976, E A GRAVADORA DE CAETANO ESTÁ DE PARABÉNS COM ESSAS REMASTERIZAÇÃO FEITA COM MUITA RESPONSABILIDADE E RESPEITO AO ARTISTA E SEU PUBLICO. VALEU!SEU SITE É DE DEZ.
MARCOS